Selasa, 26 Maret 2013

Chá, Cerimônia e Tradição: Rússia (Parte 2)

Dando continuidade no artigo da semana passada sobre a cultura do chá na Rússia, agora falaremos sobre sua produção local entre outras coisas.


Mesa posta para um típico chá russo. Imagem: espemporium.com

Rússia, produtora de chá

Além de grande consumidora de chá (é a primeira na lista de importação mundial), a Rússia também possui  plantações de chá em seu território. A primeira tentativa comercial de se cultivar a planta na região foi em 1896, quando uma expedição russa trouxe da China cerca de dois quilos de sementes. Um número ínfimo das plantas vingou: os chineses sabotaram os russos, fervendo as sementes antes da venda para sutilmente elimiar a concorrência. Nos idos de 1900, Judas Koshman (também creditado como Joseph em alguns textos) conseguiu produzir uma planta adaptada ao frio da região (principal dificuldade) e que tivesse um sabor rico. A partir de 1905 a plantação foi considerada um sucesso com 800 moitas da planta produzindo e que mais tarde, o chá proveniente delas seria conhecido por Krasnodar ou Krasnodarsky. Em 1936 a primeira plantação comercial de chá se iniciou, estimulando o surgimento de outras empresas do setor ao longo do território de Sochi, dando ao público uma opção nacional - infelizmente longe de suprir as necessidades de consumo do país.

Uma das embalagens do chá Krasnodarsky

Sochi é uma cidade turística na região de Krasnodar, com clima sub-tropical, favorecida pelo Mar Negro. Conhecida pelo clima agradável e a prática de esportes (hospedará as Olimpíadas de Inverno de 2014), também tem fama pelas suas plantações de chá. Uma vez emergente no passado, estas plantações sofreram oscilações de rendimento por conta das mudanças políticas do país, que interferem diretamente na sociedade trabalhadora.

Embalando o chá na estação da Georgia (1905-1915), hoje país independente, vizinha de Sochi, mas que no tempo
 fazia parte do Império Russo. Fonte: Wikipedia

Hoje em dia, com 2000 hectares de plantações de chá entre as montanhas do Cáucaso e o Mar Negro, a indústria local tenta correr atrás do desenvolvimento, seguindo as tendências do mercado e reestruturando-se em cooperativas. O chá da região é reconhecido ser de qualidade (dizem que o seu melhor chá chama-se Krasnodar Bouquet), e suas plantações estão localizadas na região mais ao norte do mundo (acima de Sochi é climaticamente impossível de se produzí-las), restando apenas torcermos para que ela encontre estabilidade e reconhecimento internacional devido.

Cartão postal da região produtora de chás russo, Sochi (mostrando a Casa de Chás de Sochi, contruída em 1970)


"Goût Rousse"

A expressão Goût Rousse faz referência à uma variedade de blends de chás que apetecem ao mercado russo e que podem ter aromas cítricos e especiarias. Os clássicos são os blends de chás pretos com infusão encorpada, sabor forte e com algum nível de defumação (uma curiosidade: o famoso blend Caravana Russa, composto originalmente por chás pretos chineses com leve sabor defumado, foi criado em homenagem à Rússia, e não propriamente pelos russos). Quando algum blend Goût Rousse é perfumado, geralmente ele têm adição de cascas de frutas cítricas, possivelmente sendo uma influência oriental ou (a origem não é exata) através do francês Jean Jumeau-Lafond, que inventou o primeiro chá vermelho aromatizado chamado Goût Russe Douchka, inspirado em sua esposa russa que costumava espremer um pouco de suco de laranja em seu chá quente.


Bolinhos Russos para a Hora do Chá
(apesar da tradução fiel, devo avisar que se trata de um biscoito)
Tradução pelo Chá, Arte e Vida!

Aproveitando a temática desta postagem, publico essa receita tipicamente russa para um acompanhamento na hora do chá. Ela é bem simples e muito saborosa, vai muito bem com chás pretos e verdes:

Russian Tea Cake by Yuri Hayashi, on Flickr
Bolinhos Russos para a Hora do Chá


Ingredientes:
- 1 xícara de manteiga
- 1/2 xícara de açúcar de confeiteiro
- 1/2 fava de baunilha (ou 1 colher de chá de essência de baunilha)
- 2 1/4 xícaras de farinha
- 1/4 colher de chá de sal
- 3/4 xícara de nozes pecan bem cortadinhas (no meu caso, utilizei avelãs - você pode variar a noz como desejar)

Preparo:
Bata a manteiga até virar um creme. Adicione o açúcar e a baunilha e bata novamente até misturar bem.
Em vasilha separada misture a farinha e o sal.
Adicione a mistura da farinha à da manteiga e misture até ficar homogênia. Adicione as nozes e misture até incorporar.
Leve à geladeira por duas horas. Retire da geladeira e faça bolinhas. Asse em forno em 180ºC por aproximadamente 8-10 minutos. Retire do forno e, ainda quente, role os biscoitos em açúcar de confeiteiro. Quando esfriar role novamente no açúcar e sirva.

Russian Tea Cake by Yuri Hayashi, on Flickr


Com isto encerro o artigo sobre a cultura do chá na Rússia. Espero que tenham gostado e assim que possível, escreverei mais a respeito!Até a próxima!

* Fontes que utilizei nesta pesquisa:
http://blog.espemporium.com/post/Russian-Tea-Drinking-Tradition.aspx
http://www.russianlife.com/blog/tea-time-in-russia/
http://en.wikipedia.org/wiki/Russian_tea_culture
http://www.freshcup.com/featured-article.php?id=63
http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_Sochi
http://wikitravel.org/en/Krasnodar_Krai
http://www.dagomystea.ru/history.html
http://www.dlc.fi/~marianna/gourmet/russ_tea.htm
http://tea.ru/
http://www.matsestatea.ru/
The Story of Tea, A Cultural History and Drinking Guide; Mary Lou Heiss e Robert J. Heiss, 10 Speed Press
Tea, Aromas and Flavors Around the World ; Lydia Gautier; Chronicle Books
The New Tea Companion; Jane Pettigrew e Bruce Richardson; Tha National Trust
Tea, Blends, Origins, Rituals; Rob Alcraft; Top That!
Myth and Memory in Russian Tea Culture, Studies in Slavic Cultures, Issue VIII, August 2009; Audra Jo Yoder

* Este artigo é o fruto de um trabalho de pesquisa séria, que me toma bastante tempo e que faço com o maior prazer. Caso você queira reproduzí-lo na íntegra ou fazer alguma citação do seu conteúdo, por favor, entre em contato e nunca se esqueça de colocar os créditos para o meu site. Agradeço pela consideração.

Kamis, 21 Maret 2013

Linha de produção

O friozinho chegou na hora perfeita! A linha de produção dos ovos de páscoa está a toda como vocês podem ver abaixo (foto do marido!):


Este final de semana já estarão à venda na charmosa Hospedaria Casarão!

Senin, 18 Maret 2013

Chá, Cerimônia e Tradição: Rússia (Parte 1)

Hoje começo a escrever sobre as tradições e cerimômias de chá em diferentes países onde esta bebida tem profundas ligações culturais. Como o assunto é extenso, iremos por partes, a começar pela Rússia.

Mesa posta para um típico chá russo. Imagem: espemporium.com

Um pouco de história

Apesar de terem "apenas" três séculos de tradição com a bebida, em média, 80% da população russa consome chás nos dias de hoje e ele já foi reconhecido como uma bebida nacional, considerado um item na cesta básica do país. Uma das versões da história, diz que tudo começou nos idos de 1600, quando os embaixadores Vasilii Starkov e Stepan Neverov trouxeram as folhas secas do chá, presente do governante da Mongólia, Altyn Khan. Não demorou muito para que a bebida fosse descoberta por toda a monarquia do país e a necessidade de se obtê-la fosse imediata.

 Os camelos de carga ao lado da Muralha da China

Tendo como vizinha a China (lugar original de onde vinham os chás), estabeleceu-se uma rota comercial (conhecida como Rota Siberiana, parte da Rota da Seda) entre ambos para que a Rússia pudesse receber, entre outros produtos, as folhas do chá. Apesar da distância parecer pouca visualmente, geograficamente o caminho era árduo: as caravanas de camelos carregavam chás de folhas soltas e compressadas (geralmente chás preto defumado e oolong) por aproximadamente 5 mil quilômetros de montanhas desérticas, enfrentando o frio da Sibéria e tendo como destino final Moscou. Cada jornada levava 16 meses para se completar e isso fez do chá um artigo acessível somente para a alta sociedade. Em 1800 quando a rota estava estabelecida e muitos acordos haviam sido feitos, as remessas de chás ficaram mais contínuas o os preços um pouco mais baixos - e que caíram mais ainda depois da construção da ferrovia Transiberiana. Foi somente depois de 1900 que a bebida finalmente se tornou popular para toda a nação.

Mapa entre Rússia (bege) e China (cinza, direita), atravessando a Mongólia (cinza meio) com a
Rota da Sibéria: em verde, a rota original do século 18 e em vermelho a do século 19. Fonte: Wikipedia


A tradição do Samovar

A Rússia, país extremamente frio, encontrou no chá o conforto de uma bebida forte e quente, que se tornou tradição de hospitalidade nas casas. Apesar de em seu início, o chá ser uma bebida extremamene elitizada pelo seu alto custo no mercado, os grandes escritores do tempo (Pushkin, Dostoevsky, Tolstoi, etc.) enraizaram essas tradições e costumes em suas obras, facilmente adotadas pela população comum, em busca de suas próprias raízes:

"(...) Tea was growing dark; upon the table, shining,
There hisses the evening samovar,
warning the Chinese teapot;
light vapor undulated under it.
Poured out by Olga's hand,
into the cups, in a dark stream,
the fragrant tea already ran,
and a footboy served the cream.(...)"
             - trecho traduzido para o inglês de Eugene Onegin por Aleksandr Pushkin em 1825

Os russos inventaram um sistema de preparo do chá diferente dos dias atuais, fazendo o uso de um concentrado da infusão que era diluído em água quente. Para tal cerimônia, eles possuíam utensílios próprios que conheceremos a seguir.

Utensílios russos para chá. Fotos: Wikipedia

O samovar (foto cima) virou o símbolo da tradição do chá no país simbolizando seu acolhimento e servindo-lhe de identidade, constantemente mencionado nas literaturas nacionais, como vimos acima. Era comum as pessoas se reunirem em volta de um samovar para tomarem chá e passarem seus momentos em comum (este ato de passar o tempo bebendo chá recebeu até uma definição, chainichat). Este utensílio possivelmente inventado pelos russos (sua origem é incerta), baseado em uma panela tibetana, era basicamente um repositório de água quente boa o bastante para 40 xícaras de chá! Feito de metal, o samovar possui uma torneira em sua parte mais baixa e por seu interior passa um cano que propaga calor contínuo, abastecido de algum combustível, podendo ser carvão, madeira, etc. (posteriormente, nos tempos modernos, também criaram a versão elétrica do samovar). Após a água do repositótio ser aquecida, podemos colocar a chaleira (chainik) no lugar da tampa do aquecedor, fazendo com que esta também se mantenha quente.

Os russo utilizavam copos de vidro para tomarem seu chá e foi criado o podstakannik ("segurador do copo de chá" - foto acima), que são os artefatos de metais onde encaixamos os copos para proteger a mão contra o calor da bebida. Nos dias atuais, xícaras e outras cerâmicas são mais comuns e utilizadas diariamente - a tradição russa para as cerâmicas do chá é a combinação de branco com azul cobalto e dourado. Tanto o podstakannik como o samovar foram transformados em obras de arte além da sua utilidade. Tula, cidade ao sul de Moscou, é a principal fabricante de samovares desde 1700.

"A Esposa do Comerciante" (1918) de Boris Kustodiev, retratando a mesa do chá russo

O chá preterido pelos russos sempre foi o preto e o modo de preparo do chá para a sua cerimônia se diferencia pois na chaleira é feito uma infusão super concentrada das folhas, chamada de zavarka. A idéia aqui é servir nas xícaras um pouco deste concentrado e completar com a água quente que está no samovar.  Ao contrário do costumeiro, eles deixavam as folhas dentro do bule o dia todo, escolhendo um tipo de chá que não ficasse tão amargo ao passar do dia (geralmente alguma variedade chinesa). E esse era o costume na época, deixar o samovar ligado por um bom tempo, podendo se obter uma xícara de chá bem quente a qualquer momento. Também poderia haver uma segunda chaleira com alguma infusão herbal como hortelã, para ser misturada ao chá preto, conforme o gosto (inclusive, antes da chegada do chá, os russos bebiam uma infusão de ervas chamada sbiten). Outros aditivos utilizados no chá eram limão em rodelas, açúcar, mel ou geléia (em tempos de guerra o açúcar ficara extremamente raro e adotou-se o uso de geléias) e até rum! Tanto o açúcar (em cubos) como os melados eram colocados diretamente na boca e dava-se um gole no chá. A mesa era completada com tortas, panquecas, bagels, biscoitos, frutas frescas e frutas secas, etc. e assim seguia a cerimônia russa para o chá, que poderia acontecer a qualquer momento do dia - o buffet russo era chamado de zakuska, onde todos os pratos a serem servidos eram colocados na mesa de uma vez.

[ leia o segundo artigo da série ]


* Este artigo é o fruto de um trabalho de pesquisa séria, que me toma bastante tempo e que faço com o maior prazer. Caso você queira reproduzí-lo na íntegra ou fazer alguma citação do seu conteúdo, por favor, entre em contato e nunca se esqueça de colocar os créditos para o meu site. Agradeço pela consideração.

Kamis, 14 Maret 2013

Receita: Bolo de Iogurte Versátil!

Pois é, cá estou novamente com a receita do Bolo de Iogurte. Mas agora é a versão de massa clara que você pode fazer do sabor da sua preferência. A massa se mantém cremosa, textura fofa e com o sabor que você preferir! Nos meus testes eu fiz dois sabores, chá verde e laranja:

Bolo de Iogurte. Foto: Yuri Hayashi
Bolo de Iogurte com Chá verde

Bolo de Iogurte Versátil do Chá, Arte e Vida!

 Ingredientes:
- 3 ovos
- 3/4 de óleo vegetal
- 1 xícara cheia de iogurte
- 1 colher de chá de essência de baunilha
- o sabor que desejar para a massa (bolo de chá verde: 1 colher de sopa de matcha; bolo de laranja: raspas da casca de meia laranja madura)
- 2 1/3 xícara de farinha de trigo
- 1 1/2 xicara de açúcar
- 1 colher de sopa de fermento

Preparo:
Em uma tigela grande, misture a farinha, açúcar, chocolate em pó, sal, fermento e reserve.
Em uma tigela pequena misture com um batedor o óleo e ovos (somente até que se liguem) e depois adicione o iogurte e a baunilha e o sabor que escolheu para o bolo.
Adicione a mistura de ovos à mistura seca e mexa até que fique homogêneo e sem grumos. Leve ao forno 180ºC - 200ºC por 45 minutos ou até que um palito espetado na massa saia limpo.

Cobertura:
Em uma tigela coloque 100 gramas (mínimo, pode aumentar para ter mais cobertura) de chocolate (da cor que desejar), 2 colheres de leite, 1 colher de sopa de manteiga e 2 colheres de açúcar de confeiteiro. Leve ao fogo em banho maria até que tudo esteja derretido e bem misturado. Espere esfriar um pouco e coloque por cima do bolo já frio.
No bolo de Chá Verde eu adicionei um pouquinho de matcha na mistura e também peneirei um pouco por cima. No bolo de Laranja, eu fiz a cobertura totalmente amarga (aquele casamento bom do cítrico com o cacau).

Bolo de Iogurte de Laranja e Chocolate
Bolo de Iogurte com Laranja e Chocolate

Tendo um pouco de criatividade dá para aromatizar de tudo quanto é jeito, sem perder a textura maravilhosa do iogurte! Encorajo vocês a tentarem!

Senin, 11 Maret 2013

Museus sobre Chá

Estes dias atrás comecei a atualizar meus links e acabei descobrindo um mundo novo de Museus cuja temática é o nosso querido chá!

The Bramah Museum of Tea and Coffee na Inglaterra. Foto: Wikipedia

Abaixo deixo a lista que consegui formular (que também ficará nos meus links fixos aqui na página) e caso você passe por algum destes países (tem um museu brasileiro se você não for de viajar para o exterior!), não deixe de visitar, parecem bem interessantes:

Este símbolo indica conteúdo em língua inglesa
♦♦ Este símbolo indica conteúdo em língua francesa
♦♦♦ Este símbolo indica conteúdo em língua japonesa
Este símbolo indica conteúdo em língua espanhola

China National Tea Museum. Foto: chinatourguide.com

Aos poucos, vou adicionando o que mais conseguir achar por aí e espero ainda poder visitar alguns deles pessoalmente!

Kamis, 07 Maret 2013

Aqui nesta casa...

Coleirinha

Nós acreditamos em viver a totalidade,
Rindo frequentemente e amando sempre.
Nós acreditamos que nossos caminhos se cruzaram
Para nos apoiarmos e tomarmos conta um do outro.
Nós acreditamos que o sentimento de todos conta,
E que a singularidade de cada um de nós
Fortalece a todos nós.
Nós acreditamos no poder do Perdão para a cura
E no poder do amor para nos levar adiante.
Nós acreditamos um no outro,
Nesta família,
Nesta casa.
Seja bem-vindo!

- Benção irlandesa (tradução livre do Chá, Arte e Vida!)

*** 

We believe in living deeply,
Laughing often and loving always.
We believe we were brought together
To support and care for each other.
We believe that everyone's feelings count,
And that the uniqueness of each of us
Strengthens all of us.
We believe in the power of Forgiving to heal
And the power of love to carry us through.
We believe in one another,
In this family,
In this house.
Failte! 

- Irish Blessing

Receita: Bolo de Chocolate com Iogurte

Minha amiga Thais falou sobre uma receita de bolo de chocolate que ficava muito boa com iogurte, o que me inspirou a fazer alguns testes.

Bolo de Chocolate com Iogurte
Bolo de Chocolate com Iogurte do Chá, Arte e Vida!

Como fazemos o iogurte natural aqui em casa (para servir no café da manhã dos hóspedes do meu chalé) eu acabei utilizando um pouco do que havia sobrado e depois fiz o teste com o iogurte industrializado. Preferi o caseiro pois a textura ficou muito mais agradável sendo o industrializado mais seco e duro (um jeito para utilizar o iogurte industrializado nesta receita, sem perder muito, é adicionar um pouco de leite para completar 1 xícara, ou você pode tentar fazer uma versão caseira do iogurte, é facil!). E eu gosto dos meus bolos de chocolate bem escuros, este não vai deixar a desejar na cor nem no sabor de cacau!

O resultado dos meus testes foi um bolo fofo e úmido, daqueles que ficam cremosos ao colocar na boca, com a medida certa de chocolate e aquele desejo de mais  um pedacinho ao final!

Ingredientes secos, ovos e a xícara cheia de iogurte natural caseiro!


 Bolo de Chocolate com Iogurte do Chá, Arte e Vida!
Ingredientes:
- 3 ovos
- 3/4 de óleo vegetal
- 1 xícara cheia de iogurte
- 1 colher de chá de essência de baunilha
- 1 3/4 xícara de farinha de trigo
- 3/4 xícara de chocolate em pó 100% cacau
- 1 1/2 xicara de açúcar
- 1 pitada de sal
- 1 colher de sopa de fermento

Preparo:
Em uma tigela grande, misture a farinha, açúcar, chocolate em pó, sal, fermento e reserve.
Em uma tigela pequena misture com um batedor o óleo e ovos (somente até que se liguem) e depois adicione o iogurte e a baunilha.
Adicione a mistura de ovos à mistura seca e mexa até que fique homogêneo e sem grumos. Leve ao forno 180ºC - 200ºC por 45 minutos ou até que um palito espetado na massa saia limpo.

Cobertura:
Em uma tigela coloque 100 gramas (mínimo, pode aumentar para ter mais cobertura) de chocolate (da cor que desejar), 2 colheres de leite, 1 colher de sopa de manteiga e 2 colheres de açúcar de confeiteiro. Leve ao fogo em banho maria até que tudo esteja derretido e bem misturado. Espere esfriar um pouco e coloque por cima do bolo já frio.

Bolo de Chocolate com Iogurte do Chá, Arte e Vida!

A Thais me disse que este bolo fica ótimo sem cobertura nenhuma, e é verdade, ele é bem gostoso puro. Mas tenho de confessar que com essa cobertura ele fica muito bom, não fica muito doce pois já tem pouco açúcar na massa e o iogurte e o cacau puro combatem qualquer exagero. Também tento colocar chocolate meio amargo na cobertura por questão de gosto pessoal.

Pedaço do bolo de chocolate - reparem na massa úmida e fofa

Fica ótimo acompanhado por um chá preto Ceilão, Assam ou Keemun. E a verdade é que fica ótimo sozinho também!

Senin, 04 Maret 2013

Terroir e sua influência sobre o chá

Terroir é uma palavra de variação francesa (que se refere à terra, lugar) que define a ligação genética de uma planta com o seu lugar de crescimento. Podemos dizer que o terroir é definido por fatores geológicos (tipo de solo, acidez, etc.), geográficos (altitude, se é montanha ou praia, etc.) e climáticos (temperatura, quantidade de chuva, sol, etc.).

 Plantação de chá em Munnar, Índia. Fonte: Wikipedia

Chás, vinhos, cafés, whiskies, chocolates, etc., usufruem desta definição para explicar a origem de determinadas características de aroma e sabor em sua composição. É um termo usado no mundo gastronômico para valorizar estes alimentos e bebidas, pela sua exclusividade de produção de origem, limitada pelo espaço físico em que o material bruto é gerado.

No mundo dos chás podemos citar alguns exemplos para exemplificar o valor deste termo:

O chá preto Darjeeling, original da Índia, tem como principal característica o aroma de muscatel que é resultante não somente do seu processo de fabricação mas também por sua plantação  estar localizada na região fria do Himalaia, com grande altitude, ventos e chuva. Um concorrente da ilha ao lado, Sri Lanka, que também fornece chás preto de aroma frutado ao mercado, possui uma safra muito especial na provícia de Uva durante o verão. Nesta época do ano os ventos Cachan atingem seus montes fazendo com que as plantas de chá daquela região fechem suas folhas, concentrando seus componentes e resultando em um chá de alta qualidade, que atinge valores altos de mercado durante a temporada.

Plantação de chás na cidade de Ruisui, Taiwan. Fonte: Wikipedia

Outro exemplo que podemos citar é o chá Beleza Oriental, um oolong de Taiwan que não teria seu sabor adocicado se um inseto da região, Jacobiasca formosana,  não se alimentasse de suas folhas. Ao receber as mordidas deste inseto, a planta  inicia um processo químico de autodefesa, alterando os níveis dos seus componentes, resultante da interação com as enzimas do grilo.

Há pouco tempo falamos a respeito dos chás das Montanhas Wuyi, na China, onde o seu solo rochoso faz um grande papel no sabor dos seus chás, e o seu nome de origem pode ser utilizado somente se o chá for proveniente das plantas que ficam em um raio de 70 quilômetros da área designada.

Plantação de cem Bushenyi, Uganda. Fonte: Wikipedia

Todos os chás que foram citados acima possuem uma qualidade única dada ao seu território de plantio e as condições às quais as plantas passam devido ao sistema onde foram inseridos.

A certificação francesa Appellation d'origine contrôlée foi criada para vinhos, queijos e outros produtos de origem agrícola sob o conceito do terroir citado acima. Este selo conserva o solo, plantio e produção de forma tradicional, identificando os produtos por seu valor único, impossível de duplicação.

No mundo dos chás, um selo que podemos citar hoje é o feito pelo Tea Board of India, para preservar a qualidade dos chás indianos, em especial o Darjeeling que é um dos mais "falsificados" no mundo. Outros países também tentam garantir um controle de certificação mas nada tão formal quanto o sistema francês AOC.

Selo do Tea Board of India para o chá Darjeeling

É importante sabermos o conceito de terroir pois um chá é formado pela escolha da variedade da planta, seu terroir, seu manejo e colheita, e o processo de como ele é fabricado. Não podemos dizer que um chá é bom somente por conta do seu terroir ou somente por como ele é processado, tudo faz parte de um resultado único.

Distinguir o terroir não é um processo difícil se você tem acesso a vários tipos de chás de uma mesma região e começar a comparará-los com equivalentes de outros locais. Existem características que serão notadas repetitivamente. No mundo moderno, existem muitas formas de processar um chá para que ele tenha características de um terroir que não necessariamente é o de sua origem, e isso traz a reflexão que é necessário valorizar as origens mas nunca supervalorizar um produto ao ponto de torná-lo inacessível ao mercado comum, pois tão importante quanto o seu terroir é o trabalho realizado pelos produtores e mestres de chás ao trazerem à vida os sabores e aromas de uma plantação.

Jumat, 01 Maret 2013

Ovos de Páscoa e vídeos de chocolate!

A Páscoa está chegando e comecei a minha produção caseira de ovos de chocolate! Para quem não sabia, trabalho com chocolate quando a época é propícia (tento evitar a quentura do ano).  Por morar perto das montanhas ganho uns graus a menos e isso ajuda bastante na hora de mexer nesta deliciosa mistura de cacau.

Ovos de Páscoa do Empório Embahú

Quando era mais jovem, gostava de fazer um bombom ou outro, usando forminhas, era bem recreativo. Nunca havia sido fã de chocolate... e eis o dia em que resolvi harmonizá-lo com chás, e após isso posso dizer que meu respeito aumentou consideravelmente em relação à essa iguaria.

Gosto muito de trabalhar com trufas, bolos, doces mas tenho muito prazer em fazer os ovos de Páscoa. Não só porque as combinações e possibilidades são infinitas mas também porque tem o aspecto visual que  lembra meus antigos tempos de designer, procurando soluções e beleza ao mesmo tempo! Este ano resolvi fazer meus ovos com recheio completo de ganache, até a boca - para se comer de colher - e embalagem transparente, dando valor ao trabalho de riscos que fiz na casca.

Ovos de Páscoa do Empório Embahú

Para quem quiser mais informações sobre os ovos, clique aqui. Infelizmente não envio por Correio pois o transporte é muito delicado, mas quem sabe vocês não passam por São Bento em breve?

Aproveito e deixo abaixo um vídeo muito bacana que mostra desde a fabricação da massa de cacau até a sua transformação em maravilhosos bombons belgas da marca Mary.


Também achei interessante este vídeo do programa No Reservations do Anthony Bourdain onde ele mostra um ovo de Páscoa feito na Espanha que é praticamente uma obra de arte:



Espero que todos comam chocolate de forma responsável nesta época - o que eu traduziria como mais qualidade e menos quantidade. O mercado nacional infelizmente está cheio de chocolates que deixam a desejar, então vamos investir em algo especial, ajudem a incentivar os pequenos produtores locais.