Senin, 29 April 2013

Escalada: A base da motivação

Fazem 4 anos que eu pratico escalada, esporte para uns e estilo de vida para muitos outros. Cada pessoa se encaixa nesta atividade conforme motivação e personalidade, e busca através dela um objetivo. Eu escalo por alguns fatores, sendo o mais marcante além do auto conhecimento físico e mental, o enorme contato e vivência dentro da natureza. Dentre os esportes, não é muito corriqueiro existir atividades que dependam 100% de um ambiente natural para serem praticados. Constroem-se quadras, fabricam-se piscinas... e nós escaladores e montanhistas, adentramos as florestas em busca de boulders, falésias e montanhas.

Parque Nacional da Serra do Cipó. Foto: Cláudio Brisighello

Um braço da escalada é a sua prática indoor, em ginásios específicos com seus muros e agarras de resina. É neste espaço em que a parte atlética desta atividade se forma e o espírito esportivo ganha as competições, altamente importantes na sua representação lúdica dentro da sociedade. Quando fazemos a transição do ginásio para a rocha natural, é necessário abster-se de alguns valores da competição e ganhar valores comportamentais, pois a entrada no ambiente natural carece de cuidados: adaptamo-nos à natureza e não o contrário. Devemos prestar atenção às suas cores, texturas, cheiros e o seu silêncio.

São Carlos V7 @ Vista Aérea by Claudio Brisighello, on Flickr
Sessão de boulder. Foto: Cláudio Brisighello

A teoria soa muito bem mas sabemos que a realidade nos dias atuais é um pouco diferente. Pode ser um reflexo da sociedade moderna, sempre atrás de resultados quantificados. Aprendi durante esses anos como é importante valorizarmos os processos, muito mais que os resultados. A experiência, em conjunto com uma mente aberta, é um fator muito importante para conseguirmos nos transformar de forma positiva, buscando e colocando energia onde nos falta equilíbrio. A formação de uma base é sempre muito importante para a evolução pessoal de forma sólida, evitando falsos sentimentos criados pelo ego.

Abaixo, selecionei textos de vozes mais experientes que conseguirão transmitir de forma pontual a verdadeira motivação por detrás de tantos anos de experiência dentro do montanhismo:

Fred Nicole, 42 anos, escalador suiço com grandes ascenções na modalidade boulder:
"Não é sobre a dificuldade de uma escalada, é sobre a sua experiência completa."

Lynn Hill, 52 anos, uma das melhores escaladoras do mundo:
"Primeiro e antes de tudo, meus projetos (de escalada) têm de ser motivados por objetivos pessoais. Então eu me pergunto: Ele é possível? Qual benefício eu irei absorver disto tudo? Para lhe dar um exemplo, na prática de boulder - que eu considero a essência da escalada - minha altura é uma desvantagem clara, ao ponto em que algumas vezes eu sequer alcanço a primeira agarra. Mas (ela adiciona com um sorriso - nota do editor) o grau não é importante; a experiência tem de ser significante. Este é o conselho que eu gostaria de deixar."

Reinhold Messner, 68 anos, renomado montanhista italiano:
"Quando eu perdi sete dos meus dedos dos pés em Nanga Parbat e pequenos pedaços das pontas dos dedos das mãos, eu sabia que nunca seria um grande escalador de rocha. Então eu me especializei na escalada de altitude (alpinismo). É um jogo totalmente diferente. Eu desenvolvi essa paixão por 15 anos e isto tornou-me até um pouco intolerante no meu desejo por picos de oito mil metros. De certo, é parcialmente minha culpa que hoje os picos de oito mil metros são algo especial. Para ser honesto, eles não são tudo isso (...) Eu fui o primeiro homem a escalar os 14 picos mais altos do mundo sem oxigêncio suplementar, mas eu nunca me questionei o quão alto gostaria de ir, somente como eu o faria. Escalada é mais arte do que esporte. É o estético de uma montanha que me impulsiona. A linha de uma via, o estilo de uma ascensão. É criatividade." 

Yuji Hirayama, 44 anos, notável escalador japonês, praticante de várias modalidades :
"(...) números são importantes mas não tão importantes! Eles são apenas um aspecto da escalada. Existem muitas outras coisas importantes neste esporte e o que é interessante é como um escalador entende e expressa isso. Números, às vezes, escondem importantes e interessantes fatos, então nós não devíamos focar muito em um grau ou em número de tentativas. Para mim, pessoalmente, o que eu gosto é o que você imagina de uma via, o processo que você passa para escalá-la, sua motivação.
O que também é importante é que às vezes a graduação é uma indicação, mas ela realmente significa muito pouco (...)"


John Gill, 76 anos, considerado por muitos escaladores, o inventor da modalidade boulder:
"O influxo das massas degradará muitas atividades esportivas. O que se torna popular e saturado é banalizado pela influência da mídia. Não estou dizendo que os padrões não aumentarão, pois eles certamente irão, com muitos mais participantes capacitados; mas é um aumento de padrões indo de V12 ou V13 por exemplo, realmente parte do ato da escalada? Ou isto não é tão somente uma característica comum de todas as competições atléticas? Você escala; você aprende a graduação; você acha o seu nível de escalada; você tenta avançar para o próximo grau, sem focar inteiramente na escalada mas na sua representação numérica. Tais graduações não são naturais da rocha - elas são socialmente construídas. 'O rabo abana o cachorro'. Além do mais, os esquemas de graduação são sempre falhos. Eu não posso mais imaginar onde a genética termina e a dificuldade começa. Você pode? A verdade é que cada ato de escalada por um indivíduo é um ato único, sem relação com a performance de outra pessoa na mesma pedra. Quando você verdadeiramente entender isto, você se libertará da forte corrente da prática e filosofia convencional e apreciará a simples, inexplorada experiência da escalada."

Seu Vilmar by Claudio Brisighello, on Flickr
Escalada em falésia. Foto: Cláudio Brisighello

Fontes:
http://www.guardian.co.uk/world/2003/mar/30/everest.magazine; http://www.theshortspan.com/features/johngill.htm;
http://www.planetmountain.com/english/News/shownews1.lasso?keyid=36986; http://www.planetmountain.com/english/News/shownews1.lasso?l=2&keyid=37660;

Jumat, 26 April 2013

O teto azul do meu lar...


Bau Rock COMPLEX by Claudio Brisighello, on Flickr

Wishing you always
Walls for the wind
And a roof for the rain
And tea beside the fire
Laughter to cheer you
And those you love near you
And all that your heart might desire!
Sempre lhe desejando
Paredes contra o vento
E um telhado para a chuva
E chá ao lado do fogo
Risos para lhe alegrar
E os que você ama por perto
E tudo que o seu coração desejar!
Irish Blessing - Bênção Irlandesa
Tradução livre do Chá, Arte e Vida!

Rabu, 24 April 2013

Receita: Bombons de Caramelo e Flor de Sal

Recebi um exemplar de Fleur de Sel da marca nacional Cimsal e fiz alguns testes dele com caramelo e chocolate, pois esta combinação é simples, marcante, além de deliciosa!

Nova embalagem da Flor de Sal da Cimsal, 350g

A  Flor de Sal brasileira é extraída diretamente das salinas de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Ela tem padrão diferente do europeu, lugar de origem, e possui iodo (a lei nacional obriga) mas achamos o seu sabor bem superior a qualquer sal ordinário, com consistência e boa textura. O fato de ser um produto nacional já é de grande admiração e com certeza ajuda a popularizar o lado bom do sal, cheio de minerais e sabor.

Brazilian Fleur de sel by Yuri Hayashi, on Flickr
Nova embalagem da Flor de Sal da Cimsal, 350g

A receita que escolhi para estreiar o meu sal foi o contraste de sabores que fazem uma festa em nosso paladar: primeiro fiz um caramelo já com um pouco de Flor de Sal, banhei em chocolate ao leite e salpiquei mais um pouco de sal por cima para dar, além do sabor, a sua textura mágica.

Bombom de Caramelo com Flor de Sal by Yuri Hayashi, on Flickr
Bombom de Caramelo e Flor de Sal

Bombons de Caramelo e Flor de Sal do Chá, Arte e Vida!

Ingredientes:

- 1 lata de creme de leite
- 40 gramas de manteiga sem sal
- 1 colher de chá de Flor de Sal para a mistura e mais à gosto para salpicar no final
- 1 1/2 xícaras de açúcar
- 1/4 de xícara de glucose de milho
- 1/4 xícara de água
- 200 gramas de chocolate ao leite

Preparo:

Em uma assadeira pequena (20 x 20 cm) forre com papel manteiga todos os lados.
Em uma panela misture o creme de leite, a manteiga e o sal até levantar fervura. Reserve.
Em outra panela, larga, adicione o açúcar, a glucose e a água. Leve ao fogo baixo, e misture até que todos os ingredientes se dissolvam (não misture mais depois disso). Deixe que ele se transforme em um caramelo claro, dourado, misturando apenas com o movimentar da panela. Adicione cuidadosamente a mistura do creme de leite. Misture constantemente até que a temperatura chegue à 120°C (aproximadamente 10 minutos) - cuidado pois a mistura borbulha e respinga. Retire do fogo e vire o caramelo na assadeira forrada.
Deixe esfriar por no mínimo 2 horas antes de recortar. Embrulhe em papel manteiga ou celofane se não quiser fazer a cobertura de chocolate.

Caramelo com Flor de Sal by Yuri Hayashi, on Flickr
Caramelos prontos para serem banhados com chocolate

Tempere o chocolate ao leite e banhe cada pedaço de caramelo salpicando imediatamente um pouco de Flor de Sal em cima de cada bombom. Deixe secar e sirva!

Bombons de Caramelo e Flor de Sal

Fica ótimo harmonizado com um matcha ou chá preto bem forte.

Para saber mais sobre a Flor de Sal brasileira, tem uma matéria muito bacana no Paladar do Estadão: É sol, é sal, é flor de sal

Kamis, 18 April 2013

Degustação de Chá: Zhengshan Xiao Zhong - Lapsang Souchong

O chá Lapsang Souchong foi popularmente propagado entre os entusiastas de chá (e também no mundo gourmet) por seu  característico e forte aroma defumado. Veremos abaixo que, no entanto, existem dois tipos deste chá preto (que foi o primeiro chá preto a ser criado na história) e que o sabor de defumação pode ser apenas um agradável detalhe.

Zhen Shan Xiao Zhong - Lapsang Souchong
Lapsang Souchong: folhas secas (esquerda) e após a infusão (direita)

O chá preto localmente chamado de Zhengshan Xiao Zhong (que significa Sub-variedade da Montanha Principal) teve sua origem na vila de Tong Mu, nas regiões montanhosas de Wuyi, província de Fujian. Entre as várias histórias sobre a sua criação, a mais comumente ouvida é que este chá surgiu quando foi necessário aumentar sua demanda para o mercado e teve-se a idéia de agilizar a secagem fazendo suas folhas descansarem no calor de fogueiras alimentadas por pinheiros (Pinus massoniana) da região. Em uma espécie de prédio de 4 andares (chamado de Qing Lou), onde a fogueira está no térreo e os outros andares são preenchidos com cestas de bambus recheadas de folhas do chá para serem defumadas por oito horas, cada andar recebe uma quantidade diferente de fumaça, ditando a sua intensidade de sabor. O fato de utilizarem o pinheiro Pinus massoniana fresco, ainda verde, para ser queimado faz toda a diferença em seu aroma final, garantindo-lhe uma vivacidade carvoada, lembrando notas de um tabaco aromático - e também deve-se levar em consideracão o uso das plantas do chá da região de Wuyi, como já falamos em outra postagem, possuem características próprias. É dito que o bom Lapsang Souchong (como o chá do estilo Zhengshan Xiao Zhong é chamado nos dias atuais) é aquele em que a defumação é quase desapercebida.

 Qing Lou, o prédio onde o chá é defumado (notem alguns arbustos de chá ao redor 
e ao fundo os pinheiros utilizados na defumação do chá). Foto: Dragon Tea

Este Lapsang Souchong (Sub-variedade da Montanha Lapu) que provei, de qualidade Premium (categoria um pouco acima da média mas que ainda possui variedades melhores), mostra um liquor ambar e límpido, que ao colocar os lábios na xícara revela um aroma levemente defumado, lembrando-me a fogueira que fazemos em meu terreno, e quando o líquido espalha na boca, aparecem as notas frutadas, adocicadas, que casam perfeitamente com a sutileza da sua defumação e surpreende com sua vivacidade no corpo total. Gosto de um cachimbo com tabaco de pêssego e a experiência do chá me lembrou desse pequeno prazer, de um sabor forte complementando um aroma delicado. Em nenhum momento o sabor de defumado é sobrecarregado e isso é o que diferencia este chá dos populares (os mais radicais chamam de "falsos") Lapsang Souchongs.

Liquor do Lapsang Souchong

Já falamos anteriormente sobre  o conceito de terroir e as certificações que garantem a origem dos produtos. Relembro este conceito agora pois se pudesse existir uma certificação para o Lapsang Souchong, seria mais que válido. A história é bem simples neste caso, o Ocidente tachou este chá como um chá defumado e a crença de que quanto mais defumado ele fosse, melhor seria, aumentou sua fama de uma forma errônea. Quem ouviu falar superficialmente sobre este chá, sabe que ele é defumado e ao bebê-lo espera aquele golpe no paladar. Mas a verdade é que esta versão, super defumada, é feito na China somente para atender ao mercado Ocidental, nem os próprios chineses gostam do exagero da defumação pois este anula o restante das notas aromáticas de uma boa xícara (ou os mais jovens nem tiveram contato com o chá original e já pensam como os ocidentais). O processo acima descrito é o que traz os verdadeiros e prazeirosos sabores de um Lapsang Souchong e o que acontece nos dias de hoje são muitos chás preto chineses recebendo aromatizantes. Vocês já leram os ingredientes de molhos barbecue vendidos prontos? Eles possuem "fumaça líquida", que pode muito bem ser utilizada na composição para este chá. Mesmo os chás feitos de forma tradicional mas que são super defumados (geralmente a versão feita em Taiwan) se resumem em um sabor único e concentrado, como um single malt, o que transforma a experiência realmente em um "ame ou odeie".

Tenho certeza que Sherlock Holmes saberia em apenas um gole se o seu chá preferido, justamente o Lapsang Souchong, não fosse o de fabricação tradicional. E falando sobre isso, quem não conhece o seu seriado de TV da atualidade, eu recomendo. Não somente pelas cenas de chás que eventualmente acontecem, mas pela sua excelente qualidade de enredo/fotografia/etc. (a marca de chás gourmet Adagio até criou uma série de blends inspirados no seriado):


(A introdução do episódio 2 da primeira temporada tem uma linda cena com bules 
chineses históricos, habilmente manipulados)

A dica que eu deixo nisto tudo é conhecer muito bem a origem dos chás quando os compramos - pergunte ao vendedor a origem, pergunte detalhes, etc. O Lapsang Souchong tradicional está aí no mercado mas muitas fábricas já pararam de fabricá-lo pela baixa procura do produto original. Cabe a nós mantermos a história viva e exigirmos qualidade, sempre.

Selasa, 16 April 2013

1088 Dias - Plantando a Camellia sinensis 10 - Fruto!

Um pouco mais de três anos se passaram desde que eu plantei minhas sementes de Camellia sinensis. No começo eu possuía várias mudas, mas por conta de experimentos, doenças, etc., hoje tenho 5 plantadas no chão e uma em vaso.

Camellia sinensis - Fruto
O primeiro fruto da minha Camellia sinensis

As plantas do chá que estão plantadas no chão seguem firme, às vezes sofrem ataques de formigas cortadeiras (problema quase infindável em meu terreno) mas estão concentradas em aumentar seus galhos e começam a esboçar mini arbustos. Já a planta que está no vaso, me surpreendeu novamente agora com um pequeno mas sólido fruto! Ela está sempre carregada de botões de flores e este fruto foi uma consequência natural do seu amadurecimento. É dito que a partir de 3 a 5 anos de idade a planta do chá já pode dar sementes, então vamos torcer e ver se esta vai vingar. Não vou exigir muito da planta pois é seu primeiro fruto, mas adoraria poder plantar sementes provenientes do meu próprio cultivo. Vamos torcer!

Sabtu, 13 April 2013

Escalada: 2012 AKIRA @ SBS

Kamis, 11 April 2013

Infusões, um estudo: Parte III - Lavanda

A lavanda (sendo a mais popular Lavandula angustifolia), é praticamente um clássico. Em termos de cozinha assim como em relação ao seu perfume, é amplamente utilizado na indústria, em diversos segmentos. No blog, falaremos dela como uma infusão.

Ela também fica linda em uso ornamental

Aqui em casa, plantei vários arbustos de lavanda em diferentes lugares do terreno, e ela se deu melhor (suas flores ficam grandes e cheias) no canteiro que fica exposto ao sol o dia todo - e nele tenho instalado uma irrigação de gotejamento para as épocas secas. Nos lugares onde acumula umidade no chão, a planta escurece e tende a ficar bem prejudicada. Ela é bem resistente às temperaturas que fazem por aqui e está 100% do tempo florida. O arbusto carregado de flores é uma das coisas mais lindas!

Arbusto da lavanda que fica exposta ao sol o dia inteiro (e a Fifi logo atrás, brincando com sua bolinha)

Utilizamos a planta em nossa cozinha seja como bebida ou tempero. Por ser muito aromática, faço sua infusão conjuntamente com o chá preto e fica bem equilibrado. Outro dia meu marido me surpreendeu com uma versão brasileira do Earl Grey, misturando chá preto, lavanda e lascas da casca do limão rosa.

Outra dica do uso culinário da flor é misturá-la ao iogurte natural, abaixo mais detalhes!

Black Tea with Natural Lavender by Yuri Hayashi, on Flickr
Chá Preto com lavanda fresca

Receitas:

- Chá Preto com Lavanda
Em 500 ml de água, adicione duas cabeças inteiras de lavanda fresca (se for seca, coloque metade da quantidade). Quando ferver, tire do fogo e adicione 1 colher de chá preto, cheia. Após 3 minutos coe o líquido e sirva.

- "Earl Grey" de Lavanda
Em 500 ml de água adicione duas cabeças inteiras de lavanda fresca (se for seca, coloque metade da quantidade) juntamente com duas lascas (pequenas) da casca do limão rosa. Quando ferver, retire do fogo e adicione 1 colher de chá preto, cheia. Após 3 minutos coe o líquido e sirva.

- Limonada Rosa com Infusão de Lavanda
Em 500 ml de água, adicione duas cabeças inteiras de lavanda fresca (se for seca, coloque metade da quantidade). Ferva por 3 minutos e deixe esfriar tampado. Quando frio, adicione o suco de um limão rosa inteiro, adicione água fria e açúcar a gosto. Deixe gelar e antes de servir, coe o líquido para retirar as flores de lavanda.

- Iogurte Natural com Mel, Lavanda e Geléia
Adicione em um pote de iogurte natural a Farofa de Mel (receita no blog do marido) e geléia de frutas vermelhas à gosto. Salpique algumas flores de lavanda (bem pouco pois seu perfume é bem forte), misture bem e sirva. A flor quando mastigada é amarga por isso, se preferir, pique bem antes de salpicar na mistura.


Lavanda fresca x Lavanda seca by Yuri Hayashi, on Flickr
Lavanda fresca (esquerda) x Lavanda seca (direita)

Quando utilizamos a lavanda já seca como a da foto acima (algumas semanas secando no balcão), apesar dela perder o frescor, torna-se mais concentrada e ideal para o uso e conservação. Na medicina é indicada como calmante e relaxante (entre outras propriedades), sendo muito utilizada em aromaterapia.

Lavanda. Imagem: Wikipedia

Os franceses têm uma relação muito forte com esta planta, tanto que além de terem o selo de controle de terroir (Appellation d’Origine Protégée) para a lavanda na província de Haute, possuem um museu dedicado à ela, o Musée de la Lavande. E aproveito para fechar esta postagem com este lindo campo de lavandas. Até a próxima!

Campo de lavandas em Provença, França. Foto: Jialiang Gao no Wikipedia



Jumat, 05 April 2013

Fidel enterrando o seu osso...

"Eu não quebrei o concreto e não fiz essa zona toda com a terra só para enterrar um reles osso, eu juro!" - Fidel, tentando me enganar, fazendo cara de meigo.

Fidel enterrando o osso...

Rabu, 03 April 2013

Degustação de infusão: Rooibos Orgânico

Meus amigos (muito obrigada aos três) estiveram na África do Sul e trouxeram dois tipos de infusão orgânica de Rooibos, um em sachê e outro em extrato(!) da marca Rooibos Ltd.

Rooibos

A infusão Rooibos (que significa Arbusto Vermelho, Redbush) vem da planta Aspalathus linearis, um arbusto que pode chegar a até 2 metros de altura. Ela foi provavelmente descoberta pelo povo indígena Khoisan, na África do Sul, mais precisamente na região montanhosa de Cederberg que fica perto da turística Cape Town. Abaixo reproduzo um vídeo bem completo da Rooibos Limited que conta toda a história desta infusão, em inglês:


Seu processo de fabricação envolve a oxidação das folhas e a secagem natural em sol (lembra muito a manipulação do chá da Camellia sinensis). Também há um vídeo sobre isso:


Acima, o processo mostrado é o do Rooibos popularmente conhecido, que tem a coloração avermelhada, mas também existe o Rooibos Verde que tem seu processamento similar ao do chá verde. Nesta última, a oxidação é evitada, tentando deixar suas folhas e galhos no estado mais natural possível, dando destaque à outro leque de sabores, diferenciando-se do Rooibos tradicional.

Rooibos
O liquor resultante da infusão do sachê da Rooibos Limited.

O Rooibos para mim, tem como principal característica seu perfume madeirado, bem forte e marcante. Entre as notas de tabaco, flores e especiarias, também é adocicado e refrescante - a infusão do sachê era incrivelmente perfumada, enquanto a em pó tinha um sabor menos fresco, com menos notas aromáticas. Em sua categoria me lembra muito o chá mate tostado, incluindo a sua versatilidade de ser misturado com diversos outros ingredientes e manter suas características vivas. É comumente adoçado com mel (combina com seu sabor), por vezes é tomado com um pouco de leite e também há quem prefira com limão - costumes bem europeus, sendo este um grande mercado para a infusão, diga-se de passagem.

A indústria do Rooibos é uma das mais emergentes na atualidade e além da tradicional infusão feita com a planta, também estão sendo fabricados extratos em pó e xaropes para bebida instantânea, culinária, farmácia, etc. A última curiosidade que ouvi é a do "expresso" feito a partir do Rooibos, uma infusão concentrada servida com leite no vapor. Por não possuir cafeína é ótima alternativa noturna aos que possuem sono sensível, e é dito ser ótimo contra alergias de pele e dores estomacais. A minha experiência pessoal com a infusão é a de calmante: após duas xícaras da infusão me dá um sono (ainda mais se já estou cansada)!

Rooibos
Liquor resultante da mistura do extrato de Rooibos (pouquíssima quantidade) com água quente.

Assim como vimos na postagem sobre Terroir que existe uma entidade que controla a qualidade dos chás indianos, a África do Sul também possui uma entidade que toma conta do Rooibos, o South African Rooibos Council.

Além de toda esta história sobre a  infusão, o seu berço de origem é também um grande setor de escalada, mundialmente famoso, apelidado de Rocklands.  Tenho dois bons motivos para visitar este lugar no futuro!