Kamis, 15 Mei 2014

Degustação de Chá: Hojicha, chá verde tostado

Algumas pessoas não sabem, mas o chá verde tem um mundo todo particular. Os populares bancha e matcha tomam toda a atenção, mas existem os delicados chás verde chineses e muitos outros tipos de chás verde japoneses, um mundo à parte. Hoje falaremos do Hojicha (obrigada, Lidia!), um chá verde japonês tostado.

Hojicha. Foto: Yuri Hayashi
Hojicha pronto, liquor caramelo e sabor único

O Hojicha (ou Houjicha) foi inventado em 1920 por um comerciante japonês em Kyoto que possuía um grande estoque de chá verde e não queria perdê-lo pela ação do tempo. A solução foi tostá-lo para sua conservação: Usando como base um bancha ou sencha, as folhas são tostadas em recipiente de porcelana sob carvão em alta temperatura, o que lhe confere o seu sabor único (alguns processos modernos utilizam máquinas que simulam esta parte da tostagem). Esta é sua principal característica uma vez que os chás verdes japoneses em geral são apenas vaporizados.

Hojicha. Foto: Yuri Hayashi
Folha secas de Hojicha, escuras e picadas

Suas folhas secas e escuras possuem um forte cheiro de alga. Utilizando água a 80ºC por 1 minuto e meio, os aromas se transformam e levam ao sabor notas bem adocicadas, o tostado traz a lembrança de castanha portuguesa e amêndoa, cheiro de terra ainda com poucas notas de algas, sem amargor ou adstringência, liquor límpido em tom caramelo. Bem fácil de beber e, por conta do seu processo de fabricação, ele possui um teor menor de cafeína e taninos, bom para aqueles que tem sono leve - é dito ser o chá favorito de crianças e idosos no Japão além de ser bem popular em geral (existe até KitKat sabor Hojicha!).

Hojicha. Foto: Yuri Hayashi
Folhas úmidas de Hojicha, lembram algas

A grande mágica deste chá verde é que com um simples processo (veja ele completo neste texto em inglês) ele retira aquele aroma vegetal e a adstringência forte característica dos chás verdes japoneses, e que muitos não gostam, colocando em seu lugar o adocicado de nozes, de defumação muito leve. Ótimo chá para se tomar ao longo de um dia, com boa personalidade e cara de outono!

Selasa, 06 Mei 2014

A Arte da Aromatização nos Chás: Perfumação (Parte 1)

O mundo dos sabores é ilimitado e praticamente mágico para aqueles que gostam de desafiar seu paladar. A necessidade de misturar os aromas e descobrir novas combinações é instigante até mesmo no mundo dos chás. Existem algumas maneiras de adicionar outros sabores aos chás originais: o antigo método de Perfumação feita pelos chineses, a bela amarração dos Chás Display também de origem chinesa e os modernos métodos que utilizam a adição de aromas naturais ou artificiais às folhas do chá. Veremos estes processos detalhadamente em uma série de artigos. Neste primeiro, falaremos da Perfumação.




Pérolas de Jasmim que recebem o método de Perfumação. Foto: teasun.com.au

O Método de Perfumação

A história conta que sua consagração foi herança da Dinastia Yuan (por volta de 1260-1368 DC), onde a China sob o comando dos mongóis e suas pesadas refeições, precisavam de chás com sabores mais proeminentes para acompanhá-las. Os chás com este método tiveram grande difusão ao norte do país.

O processo de Perfumação nos chás (também chamado por Scented Tea, Flower Tea, Fragrant Tea, Hua Cha) consiste da secagem das folhas da Camellia sinensis em conjunto com flores de alguma espécie para que absorvam seus aromas. Os tipos mais utilizados neste processo são os chás verde, oolong e preto com as flores de Osmanthus, Jasmim, Laranja, Gardênia, Rosa, etc.

Campo de Jasmim para fabricação de chás. Foto: Zuiyou Tea

No caso do chá verde, o mais famoso exemplo é a adição de jasmim para sua Perfumação. Durante a primavera é feita a colheita do chá verde de alta qualidade e ele é guardado durante meses até a floração do jasmim. A colheita da flor é feita com os botões ainda fechados e posteriormente são misturados às folhas do chá verde - alguns esperam que os botões comecem a abrir naturalmente (elas tendem a abrir durante a noite) para misturar às folhas enquanto outros simulam a temperatura ideal para o desabrochar das flores e então fazem a mistura. É importante que os botões estejam fechados pois assim eles seguram o aroma total da flor e ao abrir em meio as folhas do chá, estas recebem a maior quantidade possível de perfume. O ideal para qualidade premium deste chá é em média 1 kg de folha para 1 kg de jasmim, divididos em sessões de proporções diferentes de folha e flor para maior controle no resultado final.

Fazendo as camadas de jasmim sobre o chá verde. Foto: taotealeaf.com

A mistura das flores com as folhas é feita em camadas e após horas absorvendo seus perfumes, os botões são retirados da mistura (manualmente ou com máquina - é dito que o melhor chá desta categoria não pode conter as flores no produto final por questões de diferenças no preparo e conservação), o chá é seco, testado e de acordo com o nível de aromatização este processo pode se repetir novamente (até 6-7 vezes) até atingir seu sabor ideal.

Neste processo de Perfumação encontro o que considero a aromatização de maior qualidade pois é totalmente natural e a sua fabricação como um todo, envolve muito trabalho e chega a um resultado muito especial: chás delicados, aromáticos e frescos. Como a maioria dos chás, ele possui graduação de qualidade (folhas x quantidade de Perfumações; alguns recebem poucas Perfumações, outros reutilizam as flores em chás de menor qualidade, alguns misturam a Perfumação com aromatização artificial, etc.), o que determina o quão bom é o produto final - por isso, confira e pergunte todas as informações antes de uma compra.


[ continua... ]


* Este artigo é o fruto de um trabalho de pesquisa séria, que me toma bastante tempo e que faço com o maior prazer. Caso você queira reproduzí-lo na íntegra ou fazer alguma citação do seu conteúdo, por favor, entre em contato e nunca se esqueça de colocar os créditos para o meu site. 
Agradeço pela consideração.

Senin, 28 April 2014

O Chá carrega dentro de si...


"O chá carrega dentro de si
conhecimento, sabedoria e bem-estar
pela finalidade da doação."

- Aniruddha Sastikar

Kamis, 24 April 2014

Classificação de Tipos de Chá, Infusões e Derivados

Você conhece todos os tipos de chás e suas classificações? E os seus níveis de oxidação que faz com que eles sejam separados por cores? Qual a origem dos seus chás favoritos? Eu ainda não tenho todas as respostas, mas comecei este gráfico que deve amadurecer e ficar mais completo e fácil de se visualizar com o tempo. Espero que gostem e seja útil!

Chá, Infusão e Derivados
Clique na imagem acima para ampliar


* Este artigo é o fruto de um trabalho de pesquisa séria, que me toma bastante tempo e que faço com o maior prazer. Caso você queira reproduzí-lo na íntegra ou fazer alguma citação do seu conteúdo, por favor, entre em contato e nunca se esqueça de colocar os créditos para o meu site.
 Agradeço pela consideração.

Jumat, 18 April 2014

Um Pequeno Jardim

Pôr do sol

Um  Pequeno Jardim

Por cima da varanda a lua gelada brilhava
O portão da cerca ainda estava entreaberto nesta jovem noite
A lanterna errante pela mata conduziu meu convidado
O nascimento da fumaça do bambú atendeu ao meu pedido por chá
Os latidos dispersos dos cachorros acompanham os meteoros caindo do céu de outono
Lufadas de vento carregam a melodia melancólica de uma flauta distante
Nós sentamos e conversamos longa e profundamente até que o amanhecer engatinhou sobre nós
O musgo verde estava repleto de orvalho frio e avermelhado pela aurora do crepúsculo

Zhen Ban Chiao, pintor e poeta da dinastia Qing
(Tradução livre do Chá, Arte&Vida!)

Kamis, 17 April 2014

Escalada: Lesões

Quem escolhe um esporte sabe que um dia pode acontecer aquilo que mais tememos, nos machucar praticanto a atividade que mais gostamos. Com a escalada não é diferente. Muitos movimentos repetitivos, treinamentos de força, movimentações novas a cada momento... tudo pode contribuir se o seu corpo não está devidamente preparado.

Meus dedos - instrumentos valiosos na escalada

Minha primeira lesão quando comecei a escalar em 2008 foi no cotovelo, a clássica epicondilite. Depois, em um campeonato, caí sem estabilidade e torci o tornozelo. Fora isso sempre foram coisas mais contidas, um mal jeito no ombro, no outro tornozelo, uma fisgada no quadril, uma pequena estirada na perna e assim fui seguindo. Um dia, já forçando meus dedos, rompi parcialmente uma polia, demorou 2 meses para que ela ficasse inteira de novo e foi, praticamente, a minha lesão mais séria até então.

Epicondilite remediada com tensor em 2008. Foto: Cláudio Brisighello

Alguns anos se passam (e olha que nem são muitos) e o corpo vai progredindo com o desenvolvimento da escalada, vamos cada vez apertando mais forte. Eu escolhi inconscientemente um estilo de escalada que dependia muito dos meus dedos, sempre com a desculpa que por conta do meu tamanho (1,58m) eu tinha de me jogar nas agarras para alcançá-las e como sou leve, eles aguentariam o tranco. Muito mais simples pensar assim do que trabalhar o corpo como um todo. Porém, hoje sinto o reflexo desta escolha: pequenas artroses nos dedos das duas mãos, que me impedem de morder qualquer agarra de pega aberta, além de um desgaste na lombar de outrora, coisa postural - certamente de anos sentada no computador e uso de salto alto 24h quando trabalhava em escritório - Ah sim, existiu este tempo.

Quando a gente senta para refletir as escolhas, percebe que nem sempre o caminho mais curto é o melhor. Estou tentando reaprender a escalar agora para preservar os meus dedos, focando no corpo todo, aprendendo a tensionar meus outros músculos para conseguir estruturar uma pega consciente. A idade também se torna uma amiga, nos dando consciência corporal e nos ensinando a ouvir melhor as nossas dores, determinando os limites e a hora de forçar melhorias.

A escalada é uma ferramenta incrível para nosso amadurecer pessoal, sou muito grata por isto, trabalhando meus problemas de forma consciente e mantendo o foco no objetivo maior que é poder escalar para sempre! Sem quantidade nem dificuldade, apenas escalar.

Beleza interior :-)

Caso algum escalador se identifique com o meu problema de dor nas juntas dos dedos, eu recomendo este artigo (em inglês) da revista americana Rock and Ice. Ele mostrou-se bem efetivo para meu problema, sendo os principais fatores controlar o inchaço, escalar leve até a recuperação total (utilizo esparadrapo para limitar os movimentos) e fortalecimento dos dedos com a reeducação da pega, além da construção de um core. Fiquei um mês parada na fase crítica de dor e voltei a escalar aos poucos. Agora que estou em uma fase estável, comecei a fazer dead hangs básicos, muitas vezes com os pés apoiados, e exercícios de fortalecimento de core.

Acima de tudo, fortaleça a sua mente e aprenda com os possíveis erros que aparecem no caminho sabendo que aceitá-los vai te fazer um escalador muito melhor.

(E a consulta de um médico é sempre indicada, antes de mais nada!)

Boas escaladas!!!


Senin, 14 April 2014

E a produção de Páscoa continua...

Agradeço a todos que encomendaram meus ovos de chá, esgotou super rápido!

Bombons de Caramelo
Bombom com caramelo de coco e bombom com caramelo de café