Selasa, 24 Juni 2014

Já é Inverno na Mantiqueira...

A melhor temporada do ano para quem mora nas montanhas já começou: o Inverno. O friozinho chegou, a umidade foi embora, e o sol se torna um amigo para lá de agradável. Aqui em meu ranchinho, tenho recebido muitos hóspedes da melhor qualidade, escaladores e tomadores de chá, que me fazem dividir meu tempo entre eles, o workshop e a escalada (que também está na sua melhor época de prática). É muita vivência e pouco tempo para compartilhar aqui com vocês, então farei mais uma vez, uma postagem fotográfica, que vale pelas milhares de palavras não ditas.

Complexo Pedra do Baú, SP. Foto: Cláudio Brisighello

Aroeira
Aroeira, dando a pimenta rosa

Noz Pecan
Além de Pinhão, também temos Noz Pecan aqui na região!

Primavera
A Primavera, última aquisição do meu canteiro

Maria Pretinha
Maria Pretinha, que entrou pra geléia que faço aqui em casa

Lavanda
Lavandas, sempre lavandas

Puxando meus limites na escalada. Foto: Cláudio Brisighello

Fidel, e seu sereno semblante

Taturana
Taturana no jardim


Um ótimo inverno para todos nós!

Senin, 16 Juni 2014

Eu posso preparar chá com água do riacho da montanha...



"Apesar de não poder fugir
Deste mundo corrupto,
Eu posso preparar chá
Com água do riacho da montanha
E deixar meu coração repousar."

- Ueda Akinari (tradução livre do Chá, Arte e Vida!)

Foto: Pedra do Baú, SP, por Cláudio Brisighello

Senin, 09 Juni 2014

"Chá" de Café? Cáscara Tea!

Outro dia, no meio das minhas pesquisas sobre chá, deparei-me com esta bebida muito interessante. Ela se chama Infusão de Cáscara (do espanhol, casca - não confundir com Cáscara Sagrada, outra infusão) ou Infusão da Cereja do Café, que é nada mais nada menos a infusão proveniente da casca do fruto do café. Esta descoberta foi muito estimulante para continuar os meus testes caseiros com o cafeeiro que plantei aqui no meu ranchinho e tem ido super bem. Abaixo, compartilho com vocês o processo para sua obtenção e preparo.

Café - Coffee
Casca da cereja do café (dir.) e semente do café (esq.)

Acredita-se que o consumo da infusão das cerejas do café antecipa o consumo do próprio café. No Iêmen a bebida chama-se Qishr e além das cascas do café, eles adicionam especiarias como canela e gengibre. Na Etiópia a bebida também é conhecida e é chamada de Hashara. Na Bolívia acontece a mesma coisa, e é conhecida por Sultana. É natural que a fruta e seus derivados tenham vindo antes do café que conhecemos hoje pois sendo o café as sementes da fruta, estas pareciam ser secundárias em seu primórdio.


A Planta e o Processo

Um único cafeeiro dá centenas de flores e frutos - dizem que sua flor é hermafrodita e por isso não é necessária a polinização.

Cachos de flores no cafeeiro e abelha Mamangava. Foto: Yuri Hayashi
Cachos de flores no cafeeiro e abelha Mamangava

Cacho de café verde

Cachos de café maduro.Foto: Yuri Hayashi
Cachos de café maduro

O café possui esta linda fruta chamada de cereja que em seu auge atinge a cor vermelha, indicando a hora apropriada da sua colheita. Neste ponto eu já corto as frutas para despolpá-las e separo a casca da semente em seu invólucro.

Após corte na cereja do café, separando casca e polpa/sementes. Foto: Yuri Hayashi
Após corte na cereja do café, separando casca e polpa/sementes

A passo seguinte é a secagem ao sol que serve tanto para a obtenção da Infusão de Cáscara como a do próprio café. Aproveitei este processo para ambos, recolhendo-os antes do fim da tarde para que não pegassem umidade da noite. Foram alguns dias assim até que a casca ficasse totalmente seca (ela perde a maleabilidade e se quebra sob pressão).

Casca da cereja do café seca ao sol - notem o brilho do seu açúcar natural. Foto: Yuri Hayashi
Casca da cereja do café seca ao sol - notem o brilho do seu açúcar natural

Neste estágio você já pode fazer a sua infusão mas testei também adicionar mais um passo ao processo, secando-as no forno em temperatura baixa (180ºC) por pouco tempo (4 minutos). O resultado foi cascas levemente torradas que trouxeram à minha casa um aroma delicioso de nozes.

Casca da cereja com secagem ao sol e secagem em forno. Foto: Yuri Hayashi
Casca da cereja com secagem ao sol e secagem em forno

Para preparar a bebida, fervi àgua (100ºC) e adicionei às cascas (1 colher de chá) deixando-as por 4 minutos em recipiente fechado, escoando o líquido para uma xícara ao final (esta parte de quantidade x tempo é altamente personalizável, de acordo com o seu gosto). Para melhor aproveitamento desta infusão eu sugiro deixá-la esfriar um pouco, tomando-a morna. Gelada também é uma boa opção para dias quentes.

Fazendo a infusão do Cascara. Foto: Yuri Hayashi
Fazendo a infusão do Cáscara

Cascas após infusão. Foto: Yuri Hayashi
Cascas após infusão

O Resultado

Nunca imaginei que encontraria tanta complexidade e satisfação em uma infusão das cascas do café. O que antes era descartado, hoje faz parte da minha despensa. O seu aroma lembra mato fresco (o que parece um pouco desanimador ao início). Mas o seu sabor, ao contrário, possui presença. É adocicado como mel, lembrando rosas, com nuâncias de frutas como maçã e morango, e contrastam com uma leve acidez, um azedinho que lembra o encontrado no limão. Também encontro notas vegetais, terrosas, tabaco e em alguns momentos lembramos o aroma do próprio café, mas apenas em sutis e rápidos momentos. A versão tostada garante notas de nozes enquanto a versão somente seca ao sol é mais fresca e leve. Esta experiência traz uma complexidade muito prazerosa que ainda nos presenteia com um ótimo aftertaste, agradável, levemente adocicado e sensação de paladar limpo. Seu liquor traz uma coloração que também faz bem aos olhos, um âmbar perfeito, com tonalidades rosadas. Em se tratando de cafeína, algumas fontes citam que ele possui mas em quantidade baixa, proporção de 1/4 da do café tradicional.

O liquor resultante da Infusão de Cascara. Foto: Yuri Hayashi
O liquor resultante da Infusão de Cáscara

Abaixo o que "restou" sem uso agora, mas que importará para uma futura postagem sobre o próprio café, assim que fizer outros experimentos!

O café, tirado do pergaminho. Foto: Yuri Hayashi
O café, tirado do pergaminho

Até lá!


* Este artigo é o fruto de um trabalho de pesquisa séria, que me toma bastante tempo e que faço com o maior prazer. Caso você queira reproduzí-lo na íntegra ou fazer alguma citação do seu conteúdo, por favor, entre em contato e nunca se esqueça de colocar os créditos para o meu site.
 Agradeço pela consideração.

Senin, 02 Juni 2014

Mais uma primavera!

Fazer 35 anos é tão bom quanto comemorar com comidinhas boas e bons amigos. Abaixo vocês podem ver a foto do meu bolo comemorativo. Ele tem base de brownie, uma camada de coco e creme, cobertura de baunilha, morangos e biscoitos amanteigados - tudo isso servido com sorvete! 

Happy Birthday!

Mas o dia não é apenas para comilança ou enaltação do ego... é um dia de reflexão por tantas conquistas boas em uma vida, com desejos que estendo aos meus leitores e amigos:

"Que o amor e o riso iluminem seus dias,
e aqueça seu coração e seu lar.
Que você tenha bons e leais amigos,
pelos lugares que você cruzar.
Que a paz e fartura abençoem o seu mundo
com a alegria que dure longamente.
Que todas as estações de transição da vida
trangam o melhor para você e os seus!"

- Benção Irlandesa (tradução livre do Chá, Arte & Vida!)

Senin, 26 Mei 2014

Uma xícara de chá...



"Uma xícara de chá é uma xícara de paz."
- Sen Soshitsu XV

Rabu, 21 Mei 2014

A Arte da Aromatização nos Chás: Chás Display (Parte 2)

O mundo dos sabores é ilimitado e praticamente mágico para aqueles que gostam de desafiar seu paladar. A necessidade de misturar os aromas e descobrir novas combinações é instigante até mesmo no mundo dos chás. Existem algumas maneiras de adicionar outros sabores aos chás originais: o antigo método de Perfumação feita pelos chineses, a bela amarração dos Chás Display também de origem chinesa e os modernos métodos que utilizam a adição de aromas naturais ou artificiais às folhas do chá. Veremos estes processos detalhadamente em uma série de artigos. Neste artigo, falaremos dos Chás Display.



Display Tea
O belo Chá Display da Chá Yê!

O Chá Display (também chamado de Flowering Tea, Blooming Tea, Artistic Tea e Gong Yi Hua Cha) se perde na história dos chás chineses. Alguns afirmam que este chá é uma invenção moderna enquanto outros acreditam que ele é centerário.

A partir de um registro onde se lê "As folhas do chá eram amarradas com flores para o entretenimento do Imperador (...)" durante a Dinastia Song (960 - 1279 DC), os historiadores se baseiam para comprovar a existência deste tipo de chá, contudo não há indícios de seu consumo como bebida, apenas como atrativo visual uma vez que eram utilizadas folhas de baixa qualidade para seu feitio - diziam que seu líquido era amargo e sem gosto significativo.

Nos dias de hoje, com o conhecimento dos ocidentais sobre o Chá Display, um mercado surgiu e desde os idos dos anos 80, uma produção cuidadosa com chás de melhor qualidade iniciou-se (incluido até o uso de variedades da planta do chá com sabor mais tenro). A arte da manipulação das folhas para se obter distintos formatos pode ser antiga mas a sua utilização para consumo tem indícios na atualidade (sendo Wang Feng Sheng apontado como o criador da versão atual deste tipo de chá).

Com origem na província de Yunnan, China, a arte da amarração do chá nasceu e outras províncias também possuem seus Chás Display (que podem utilizar chá verde, branco, preto, etc. e vários tipos de flores), somando diversos tipos de apresentação, de acordo com o gosto e paciência dos Mestres de Chá que o fabricam.

Fabricação de Chá Display. Foto: serestea.com

Para a sua fabricação, de uma maneira geral, folhas do chá são colhidas com o mesmo padrão de tamanho e amarradas solo ou em conjunto com flores de jasmim, amaranto, etc., através de barbantes. As folhas são umidificadas para faciltar o trabalho e depois de ganharem o seu formato, são deixadas para secar. O seu preparo para consumo é feito em bules de vidro (onde se pode apreciar a beleza do seu desabrochar), sob água quente, podendo-se realizar várias infusões com o mesmo chá (são litros de liquor com sabor floral!).

Como os outros chás, este também possui graduação ditada pela maneira como ele é produzido, levando em consideração a matéria-prima e o uso de máquinas ou puramente o trabalho de mãos habilidosas. Um bom Chá Display tem uma amarração impecável, ao desabrochar solta pouquíssima ou nenhuma folha além de possuir sabor presente e agradável. Sempre confira as informações antes de uma compra.

Abaixo um exemplo de vídeo onde vemos a fabricação do Chá Display:



[ continua... ]

* Este artigo é o fruto de um trabalho de pesquisa séria, que me toma bastante tempo e que faço com o maior prazer. Caso você queira reproduzí-lo na íntegra ou fazer alguma citação do seu conteúdo, por favor, entre em contato e nunca se esqueça de colocar os créditos para o meu site. 
Agradeço pela consideração.

Senin, 19 Mei 2014

Eu tenho prazer no chá...


"Eu tenho prazer no chá, apreciando-o com meu espírito e 
por este motivo não sou capaz de explicar o por quê."

- Sen Joo